O salário mínimo no Brasil passou a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. O novo valor representa um reajuste de aproximadamente 6,8 por cento em relação ao piso anterior, que era de R$ 1.518, e garante ganho real acima da inflação, retomando uma política de valorização interrompida nos últimos anos.
O valor foi oficializado pelo governo federal por meio de publicação no Diário Oficial da União, conforme noticiado pela Agência Brasil. O reajuste beneficia diretamente cerca de 62 milhões de brasileiros, entre trabalhadores formais, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais vinculados ao salário mínimo.
Como foi calculado o salário mínimo de 2026
O reajuste segue a regra de valorização do salário mínimo restabelecida pelo governo, que combina dois fatores. O primeiro é a inflação acumulada em 12 meses até novembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC. O segundo é o crescimento real da economia brasileira de dois anos antes, neste caso o desempenho do Produto Interno Bruto de 2024, limitado a um teto de 2,5 por cento ao ano, em função das regras fiscais vigentes.
A soma desses dois componentes resultou em um aumento nominal de pouco mais de R$ 100, garantindo recomposição do poder de compra e um ganho real para os trabalhadores que recebem o piso nacional. Esse modelo difere da política adotada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o salário mínimo era reajustado apenas pela inflação, sem aumento real.
Impacto econômico do reajuste
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o aumento do salário mínimo para R$ 1.621 deve injetar aproximadamente R$ 81,7 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026. O efeito se dá principalmente pelo aumento do consumo das famílias de menor renda, que destinam a maior parte de seus rendimentos a despesas essenciais.
O Dieese também destaca que, entre 2020 e 2022, a política de reajuste exclusivamente inflacionário não foi suficiente para compensar a alta de preços, especialmente dos alimentos, que cresceram acima da média e afetaram de forma mais intensa as famílias de baixa renda. Nesse período, o salário mínimo real sofreu deterioração progressiva, com impactos diretos sobre o poder de compra.
O salário mínimo e o custo de vida no Brasil
Embora o novo valor represente avanço em relação aos anos anteriores, estudos do Dieese indicam que o salário mínimo ainda está distante do patamar considerado constitucionalmente adequado. Segundo cálculos do departamento, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas no Brasil deveria ser de R$ 7.067,18 em novembro de 2025, o equivalente a cerca de 4,3 vezes o piso nacional em vigor em janeiro de 2026.
Esse dado evidencia a distância entre o salário mínimo legal e o custo real de vida no país, especialmente em grandes centros urbanos, onde despesas com moradia, alimentação e transporte pesam de forma significativa no orçamento familiar.
Quem é impactado pelo novo valor
O salário mínimo é a menor remuneração que um trabalhador formal pode receber no Brasil e serve como referência para uma ampla gama de rendimentos. Além dos trabalhadores que recebem diretamente o piso, o reajuste impacta benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas, como aposentadorias, pensões, abono salarial e seguro-desemprego.
Por essa razão, alterações no salário mínimo têm efeito fiscal relevante e exigem compatibilização com o orçamento público, ao mesmo tempo em que desempenham papel central na redução da pobreza e na sustentação do consumo interno.
Um equilíbrio entre política social e responsabilidade fiscal
Com a entrada em vigor do salário mínimo de R$ 1.621, o governo busca equilibrar dois objetivos centrais. De um lado, a recomposição do poder de compra dos trabalhadores de menor renda, em linha com a Constituição Federal e com políticas históricas de valorização do salário mínimo. De outro, o respeito aos limites fiscais, por meio do teto aplicado ao crescimento real do reajuste.
O desafio para os próximos anos será manter essa política de valorização de forma sustentável, garantindo previsibilidade tanto para trabalhadores quanto para empresas e para as contas públicas, em um contexto de desaceleração econômica global e pressões fiscais internas.
Fonte: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/novo-salario-minimo-sera-de-r-1621-em-2026
